Para quem não vence um campeonato brasileiro desde 1979, em dezembro completam-se 30 anos, e que deste único título invicto na história do Brasileirão vieram uma via-crúcis de pesadelos colorados, o torcedor do Sport Club Internacional não gosta muito de olhar para o passado. É válido dizer que em 1980 chegou a final da Copa Libertadores da América, mas foi derrotado pelo Nacional do Uruguai na grande decisão. Não fosse isto, os colorados ainda foram obrigados a assistir o rival Grêmio vencer o campeonato brasileiro em 1981, ser vice-campeão brasileiro em 1982, conquistar a América e o Mundo em 1983 e no ano seguinte, vice-campeão da Copa Libertadores da América. Os anos 80, por sinal, foram terríveis para o Internacional, que apenas conquistou quatro campeonatos gaúchos, deixou o Grêmio levar seis títulos e no final desta década, ainda perdeu duas finais seguidas do campeonato brasileiro, 1987 e 1988, para Flamengo e Bahia, respectivamente. Ainda, em 1989, assistiu o Grêmio ser campeão da Copa do Brasil 1989, a 1ª edição da competição.
Lógico que a década de 1970 foi toda do Internacional, pois venceu três campeonatos brasileiros (1975, 1976 e 1979) e foi Octacampeão gaúcho, deixando o rival conquistar somente dois campeonatos regionais nesta década. Mas aí vieram os anos 1990, e o Internacional quebrou um jejum de títulos, voltando a ser campeão gaúcho em 1991 (não vencia no RS desde 1984), e vencendo a Copa do Brasil 1992, no mesmo ano que o rival Grêmio disputava a 2ª Divisão. Mas nem tudo foram flores, pois nesta década o Grêmio venceu a Copa do Brasil em 1994 e 1997, foi campeão da Copa Libertadores da América em 1995, Campeão da Recopa em 1996, Campeão Brasileiro em 1996, vice-campeão da Copa do Brasil em 1991, 1993 e 1995; Vice-campeão Mundial em 1995, e conquistou 5 campeonatos regionais. Enquanto o Inter levou 4 títulos regionais nesta década, uma Copa do Brasil, e escapou da 2ª divisão por detalhes em 1990, 1996 e 1999.
Até então, o Internacional mantinha, ao menos, a hegemonia de ser o maior campeão gaúcho do século, maior vencedor em Grenais e de possuir o melhor estádio, já que o número de torcedores gremistas já começava a mudar o cenário da maior torcida do Rio Grande do Sul.
Aí veio o século XXI, no ano 2000 não foi nem Inter e nem Grêmio o campeão gaúcho, e sim o Caxias de Tite. O Grêmio continuou levantando troféus, com a Copa do Brasil e o campeonato regional em 2001. Mas o Inter dava sinais de vida e de imediato conquistou o tetracampeonato gaúcho. Eis que veio o período de glórias do Internacional: campeonato mundial (2006), Copa Libertadores da América (2006), Recopa Sul-Americana (2007), Copa Sul-Americana (2008), Copa Dubai (2008), vice-campeonatos brasileiros em 2005 e 2006, e as conquistas regionais em 2002, 2003, 2004, 2005, 2008 e 2009. Nesta década, o tricolor da Azenha só conquistou três campeonatos gaúchos (2001, 2006 e 2007) e a Copa do Brasil 2001, e novamente caiu para a 2ª Divisão em 2004, vindo a conquistar a Série B em 2005 e ser vice-campeão da Copa Libertadores da América 2007. Em suma, o Inter mandou nesta década e na década de 1970, eis que o Grêmio reinou nos anos 80 e 90.
Mas onde o torcedor colorado pode chegar com toda esta análise? Eis o perigo da gangorra do futebol gaúcho virar de lado. Pois, mesmo conquistando o Gaúchão 2009 com 8 a 1 no Caxias (em 2008, foi 8 a 1 no Juventude), sendo finalista da Copa do Brasil e da Recopa Sul-Americana, e tendo ainda pela frente o Brasileirão e a Copa Sul-Americana (o Colorado é o único brasileiro a vencer esta competição), há equívocos na direção colorada e nas escolhas do técnico Tite que já ligaram o sinal de alerta no Beira-Rio:
a) Nilmar: o jogador é sem dúvida nenhuma o melhor camisa 9 do país e um dos melhores do mundo na sua função, pois somente Cristiano Ronaldo e Ett’o seriam parelhos ao guri do Beira-Rio. Portanto, é jogador para quando for negociado ser a maior transação da história do futebol brasileiro, e para um clube de expressão internacional como, por exemplo, Milan, Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Inter de Milão, entre outros. É um craque que não pode ser vendido a Lyon (França), como o próprio Inter fez em 2004, e muito menos o que o Colorado fez ao se desfazer de Alexandre Pato e Fernandão. É jogador para ficar no Beira-Rio no ano do Centenário, conquistar títulos e vaga para a Libertadores 2010, para o ano seguinte voltar a Tóquio. Nilmar precisa ficar no mínimo mais um ano com a 9 do Internacional, afinal um clube que se orgulha de ter 91 mil sócios (6º maior do mundo) não pode abrir mão deste craque, um verdadeiro fenômeno que deste 2002 encanta a torcida colorada.
b) D’Alessandro, Taison e Guinãzú: o mesmo vale para os dois argentinos do Beira-Rio. Guinãzú e D’Alessandro não são titulares da seleção Argentina, hoje, só porque o Maradona não quer. O “chulo”, capitão colorado, dono da camisa 5 do Internacional, é hoje o melhor volante do país e um dos melhores do mundo. Um jogador comparável a Falcão e Dunga, que fizeram história com a 5 do Internacional. Já o marrento argentino D’Alessandro, já era craque nos tempos de River Plate e é hoje o cérebro e a genialidade do meio-campo do Internacional, que substituiu Alex à altura, e ambos os gringos também não podem ser negociados num período mínimo de um ano. O mesmo vale para o garoto Taison.
c) As perebas de Tite: qualquer um que entende um pouco de futebol sabe que Danny Moraes vive uma grande fase desde 2007 no Internacional, e que ninguém entende o porque desta jovem promessa do futebol brasileiro não ser titular no Internacional. Além de excelente zagueiro, Danny Moraes é um jogador raro no futebol devido a sua polivalência: atua como zagueiro, ala direita e volante, todas com brilhante execução. O Danny poderia ocupar o lugar de Álvaro, que já provou que não é digno de vestir a camisa 4 do Internacional, e poderia ter sido o substituto de Bolívar na final frente o Corinthians e certamente evitaria os desastres de Danilo Silva.
Danilo Silva, Álvaro, Marcelo Cordeiro, Alecsandro, Maicon, Giuliano, Leandrão, Rosinei, Marquinhos são as perebas de Tite neste elenco do Internacional. Outro jogador com capacidade para ser titular é o uruguaio Sorondo, ainda mais depois das grotescas falhas do veterano Índio, que já começa a demonstrar desgaste, após ser titular desde 2004 no Internacional. O Inter não possui um reserva para Nilmar. Está certo que Bolaños arrebentou na Copa Libertadores da América de 2006, 2007 e 2008 pela LDU do Equador e na seleção do Equador, mas em 2009 o mesmo Bolaños foi reserva no Santos e chega no Internacional como solução? Não acredito que possa dar certo.
A categoria de base: a categoria de base só deu certo com Sandro, Danny Moraes, Taison e só. O volante Glaydson é um bom marcador, assim como Andrezinho. São bons reservas ao lado de Danny Moraes, Sorondo, Michel Alves... Mas é só. O resto é jogador para os clubes do interior do Estado. Se bem que ao meu ver Alecsandro, Giuliano, Danilo, Marcelo Cordeiro e Leandrão não jogariam nem pelo Santo Ângelo na 2º Divisão do Gauchão.
Está na hora da direção colorada acordar e entender que não poderá vender nenhum jogador e sim contratar, mesmo que seja para a reserva, jogadores de alto nível, pois é um clube grande, uma administração invejável, mais de 90 mil sócios, contas em dia, apoio do torcedor e uma política de organização a nível dos grandes clubes europeus. O Inter não pode pecar, pois corre o risco de perder estas finais, perder o técnico Tite e o centenário virar um simples Gauchão conquistado, sem esquecermos que o rival Grêmio, como quem não quer nada, conquiste o Tricampeonato da Libertadores e no final do ano encare o Barcelona no Mundial. É hora de acordar! É hora de não esconder o sol com a peneira, e vender uma meia-dúzia de pernas de pau ao invés de vender jovens craques que podem dar muitas alegrias ao torcedor colorado.